Adega retoma caminho de grandes degustações em Vitória

Vinho tinto sendo servido em uma taça sobre mesa de jantar com toalha branca

Com jantares conduzidos por produtores de Espanha, Portugal e Itália, a Gran Cave, na Mata da Praia, resgata o circuito de grandes provas que Vitória já teve.

Não é saudosismo, é registro histórico: houve um período, há uns 15 ou 20 anos, no qual era muito comum termos degustações especiais em Vitória, conduzidas por grandes enólogos ou proprietários de vinícolas. Em uma semana, um jantar com Pablo Morandé, peça fundamental para a trajetória do vinho chileno; noutra, uma prova com as irmãs Rebecca e Lucy Willson, vindas da Austrália para trazer os vinhos da Bremerton e contar a história da cachorrinha Matilda; e, dali a alguns dias, um encontro com Nicolas Joly, apaixonado pela natureza e autor do Coulée de Serrant. Por que isso ocorria? Talvez consequência da fama alcançada pelo estado, na época, com o Encontro Internacional do Vinho. Talvez o interesse do mercado em ampliar o consumo de grandes rótulos. Não sei. Mas foi um período brilhante. E parte desse brilhantismo vem sendo recuperado pela Gran Cave, mescla de adega e restaurante na Mata da Praia.

Thalita Garcia, embaixadora da Vega Sicilia no Brasil, e Francielly Ramos, da Gran Cave, seguram garrafas de vinho
Thalita Garcia, embaixadora da Vega Sicilia no Brasil, e Francielly Ramos, da Gran Cave. Foto: Divulgação

A casa está fazendo três anos e, ao longo desse tempo, já recebeu provas importantes. Na quarta-feira (dia 12), por exemplo, Thalita Garcia, embaixadora no Brasil da Vega Sicilia, uma das mais tradicionais vinícolas da Espanha, conduziu uma degustação de Macán Clásico 2021, Alión 2020, Pintia 2019, Valbuena 2019 e Vega Sicilia Único 2012. O jantar, do chef Harum Khatarian, foi encerrado com um Tokaji Oremus Aszú 3 Puttonyos 2016, delicioso vinho de sobremesa, resultado de um projeto da Vega Sicilia na Hungria.

Quem já veio e quem virá

A degustação da semana passada se soma a outras: a apresentação dos vinhos da Cartuxa por João Teixeira, diretor da vinícola portuguesa; as duas passagens de Jorge Serôdio Borges, um dos maiores enólogos de Portugal; o jantar recente com os rótulos italianos da Banfi; e as provas da produção nacional, com os principais vinhos da Miolo e, há poucos dias, os da Henrique Dal Castel.

Além das provas na casa, a Gran Cave promove wine tastings, eventos de apresentação de vários produtores em outros espaços da cidade. “Nossa missão é trazer grandes eventos para Vitória”, diz Francielly Ramos, responsável pela adega. No dia 17 de setembro, a degustação na casa será conduzida por Carlos Reynolds, da vinícola portuguesa Reynolds. Para o futuro, a Gran Cave planeja outros voos, possivelmente com grandes vinhos italianos, confirmando a tendência de reviver um período importante do mundo do vinho em Vitória, marcado por provas incomuns e presenças marcantes.