Perfume forte, taça cheia, fila furada… Veja os erros mais comuns na Vitória Expovinhos e saiba como aproveitar melhor a feira.
A moça loira, alta, bonita, chegou marcando presença na degustação. O local era especial: o salão do lago da Pousada Pedra Azul, na serra capixaba. A moça marcou presença não porque era bonita, mas porque chegou quando a degustação já havia sido iniciada e, pior, usava um perfume muito marcante. Eu e um amigo estávamos na entrada, e indicamos para ela um lugar vago ao lado de outro camarada, figura exigente nas provas. Ela se sentou, ele olhou para trás, bravo: sabia como o perfume iria atrapalhar qualquer avaliação dos aromas. Rimos baixinho. Nossa pequena molecagem revela um erro muito comum para quem está pouco habituado com degustações: exagerar no perfume. Não é pecado único. Há outros a serem evitados por quem pretende ir à 16ª Vitória Expovinhos sem “marcar presença”…
Por isso segue abaixo um pequeno guia sobre como não errar ao participar da feira de vinhos de Vitória. Essa é uma lista atualizada anualmente, porque sempre há algo a acrescentar. Vamos a ela:
Beber é bom, comer é fundamental
Você vai passar a noite degustando muitas doses. Portanto, nunca se esqueça de se alimentar antes, durante e depois da feira. Você evita exageros na degustação e também a ressaca física e moral no dia seguinte.
Não vá de carro!
Você vai beber vinho. É ilegal dirigir. Ponto final.
Não seja deselegante: respeite a fila!
É normal os estandes ficarem lotados. O serviço do vinho não é rápido. O expositor quer dar explicações e detalhes sobre seus produtos. Então, não atropele o atendimento, não entre na frente de quem já estava esperando para ser servido. Vinho e elegância são quase sinônimos. Respeite isso.

“Eu quero o top da vinícola!”
É muito comum a pessoa chegar ao estande exigindo: “Quero o melhor vinho de vocês? Qual é o top? Quero o top!”. Os produtores, os representantes querem mostrar seus melhores rótulos, mas também os de entrada, de linhas mais básicas. Na enorme maioria dos casos, eles sustentam o negócio. Siga a ordem sugerida pelo estande.
Expositor não é garçom
Sem qualquer demérito para os garçons, muito pelo contrário: eles são fundamentais. Mas os estandes são tocados por enólogos, produtores e importadores (certa vez fui servido por Pablo Morandé, olha o nível). Cinco minutos de conversa com essas pessoas são uma aula. Não a perca.
Não se sirva sozinho
Nunca pegue uma garrafa para se servir. Quem tem o controle do serviço é quem está no estande. E também não peça para encher sua taça. O número de garrafas é limitado, e todos têm direito de conhecer os vinhos.
Não deixe de provar o novo
Ok, todo mundo tem suas preferências. No entanto, a feira é o local ideal para experimentar novidades. Não gosta de branco? Prove alguns para ver se acha algo diferente. Nunca tomou vinho de sobremesa? Experimente. Nunca ouviu falar de uma certa uva? Arrisque. Ela pode te surpreender.
Cuidado com o celular
Não, não é questão de segurança, a feira é bastante segura. O cuidado é com o uso excessivo do celular, tanto para ficar olhando o Instagram, em vez de prestar atenção no enólogo ou expositor, quanto para tirar foto o tempo todo e esquecer o real motivo de estar ali: o vinho, os amigos. A feira é presencial, não virtual.
Não tenha vergonha de cuspir
Todo estande tem um vasinho, normalmente preto. Não gostou do vinho ou quer provar muitos sem perder a noção das coisas? Use o tal vasinho e cuspa. Ninguém vai achar estranho. Muito pelo contrário: especialistas fazem isso o tempo todo.
Evite errar nas palavras
Memorize de uma vez por todas: enólogo é quem produz vinhos, normalmente com formação superior; enófilo é quem lê, se interessa e é apaixonado pelo assunto e sommelier é quem faz cursos sobre vinhos e outras bebidas. Chamar um enólogo de enófilo pode ser até ofensivo…
Por fim, não exagere!
Olha… São mais de 1,2 mil rótulos diferentes. Impossível provar todos. Mesmo se você fizer uma maratona num ritmo de corrida de 100 metros. Vá com calma. Aprecie taça por taça. Converse com as pessoas. Divirta-se. E fique tranquilo: no próximo ano tem mais. Ah! E vá sem perfume, ok?
Escrevo há mais de 20 anos sobre o mundo do vinho, principalmente a respeito dos eventos ocorridos no Espírito Santo, mas também sobre fatos e novidades do Brasil e do mundo. Aqui misturam-se dois prazeres, porque amo tanto os tintos e brancos quanto as palavras e frases. Meu maior objetivo é compartilhar com você parte dos prazeres da vida.



